quarta-feira, 14 de março de 2012

A poesia da vida


A vida provoca os meus sentidos
Tenho sensações
Através do que e como sinto
Provoco sensações
É tudo uma questão de sentir...

Quando digo a vida, me refiro à poesia da vida. E a poesia da vida está em tudo aquilo que toca a alma. Pode estar nas pessoas, nas flores, nos lugares, no mar, no pôr-do-sol, na luz da lua, nas palavras que são ditas e até mesmo nas que não são.

A poesia da vida pode estar num olhar, num bombom de chocolate, nas gotas de chuva, numa taça de vinho, num papel de bala dentro do caderno, nas fotografias desbotadas, num bilhetinho em um mero papel de pão, num álbum de figurinhas que não se completa nunca.

Na intensidade da alegria e da tristeza, nos choros e sorrisos largos, nos abraços inteiros, na música, nas lições da natureza, nas noites em claro, nos dias escuros e nos raios do sol.

A poesia da vida está na amizade, no amor, no sexo, no aprendizado, nos segredos, nas gentilezas, na sede de viver, nos encontros e desencontros cotidianos, na despedida, nos afetos e desafetos, nos carinhos, na simplicidade.

Em coisas que para alguns podem ser insignificantes,
despercebidas, desimportantes,
mas que tocam tão profundamente o coração de tantos outros
e ganham uma extensão imensurável na alma,
mexem com cada centímetro da emoção,
fazem suspirar,
arrepiam por dentro.

Aí que está a poesia, naquilo que toca a alma, no arrepio da alma.

[É tudo uma questão de sentir...]

14 de março – Dia Nacional da Poesia
Saudações a todos aqueles que sentem o arrepio que a poesia provoca


Saudadessss

*reedição

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Dias a mais


Que os dias sejam a mais!
Tenham mais cores, mais luzes,
mais sorrisos, mais abraços
mais afetos, mais amores,
Mais...
Porque cada dia que aproveitamos
com mais vontade
é um dia a mais
que valeu a pena na nossa história.

Que os dias sejam a mais!
Tenham mais olhos, mais ouvidos,
mais voz, mais vez,
mais arrepios, mais trocas,
Mais...
 Porque a construção de cada dia
 deixa o alicerce mais sólido.

 E quando chegar o fim do ano novamente,
na hora da virada,
o segundo final terá mais sentido,
 mais sabor e mais beleza.
Os pedidos ainda existirão,
mas haverá muito mais agradecimento.

[Dias a mais por mais dias a mais por mais dias...]




Um Feliz Natal e um ano novo repleto de dias a mais para todos os seguidores e visitantes deste espaço querido!  Em 2012 estarei mais presente. Beijos
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domingo, 9 de outubro de 2011

Cabelos brancos: pintados ou descoloridos pelo tempo



Tem o cabelo cor de prata
E vale mais que ouro
A sua história de vida
É um verdadeiro tesouro

Tem muito o que contar
Tantas coisas vividas
Tem bagagem pra ensinar
A entender melhor a vida

Tem o cabelo cor de nuvem
E a voz doce feito mel
Tem um olhar que traz sossego
Assim como o azul do céu

No rosto as marcas do tempo
são como a vida bordada na face
Contam o quanto já viveram
Sem retoques, sem disfarce

Tem tanta sabedoria
Mesmo o que nunca estudou
Aprendeu na melhor escola
Foi a vida que ensinou
E aprendeu com tanta sede
Que o mundo transformou

Olha para o céu
E sabe se vai chover
interpreta sons de pássaros
sabe o que quer dizer
e isso não é magia
é a plenitude do viver

Chamam de terceira idade
a que vive no momento
eu chamo de melhor idade
é o que diz meu sentimento
conhece bem mais a vida
aproveita mais o tempo

Receba este poema
Como um abraço carinhoso
É a minha singela homenagem
Para ti, amado idoso!

[E os seus cabelos brancos, cor da paz, cor do amor
não sei se o tempo descoloriu ou se, lindamente, pintou]





Declamado aos idosos da Associação Casa de Caridade Adolfo Bezerra http://www.accabem.org.br/, em comemoração a semana do idoso. Um momento de muita emoção, que eu tenho o prazer de compartilhar com vocês. Jamais esquecerei aqueles olhares tristes sorrindo pra mim. Jamais esquecerei aquelas palavras que ouvi deles. Jamais esquecerei a emoção estampada em seus rostos ao ouvirem esta poesia, que foi feita especialmente para eles. Eu estava muito emocionada e segurando as lágrimas, mas na hora que eu levantei os olhos e vi um velhinho enxugando as lágrimas, ali eu desabei, travou a garganta e, naquele momento, eu recebi o meu pagamento por estar ali.

sábado, 27 de agosto de 2011

Carmen semeando poesia














Carmen via,
via poesia aqui,
via poesia acolá,
via poesia onde havia e onde não há.
Carmem plantava poesia,
e colhia,
e distribuía
e perfumava os ares com as suas
e as de tantos exalavam através de si,
através de mim, de ti.
Carmem ouvia,
ouvia o sussurro do silêncio pedindo ajuda
e o ajudava com os sons da ponta do seu lápis,
era uma cantiga tão bonita!
fazia tanto bem ouvir os sons que brotavam da sua alma
e era estampado em um pedaço de papel,
um simples papel,
que virava um tesouro dos mais valiosos
em suas valiosas mãos,
porta-voz do seu imenso sentir.
Carmen sabia,
sabia que tudo ficaria mais bonito,
a paisagem das palavras,
uma pintura,
daquelas que fazem barulho
e plantam girassóis por dentro,
obra de arte das mais belas,
afetava todos os sentidos
e tudo fazia mais sentido,
as palavras em dança.
Carmen abria,
destrancava as portinholas
para quem não via,
para quem não lia,
fazia nascer novos horizontes,
despertava,
aproximava a poesia
de quem dela se escondia
e surgia como uma luz.
Acendia.
Reluzia.

[Carmen ia, seguia... Semeando por aí...]





Para Carmen Silvia Presotto, com o meu mais sincero carinho e admiração. Obrigada por espalhar a poesia e deixar o mundo mais bonito e suave. Desejo-te muita felicidade, muita luz, saúde, paz, amor e que sempre semeie a tua poesia pelos ares. Feliz aniversário! Você faz parte do meu relicário!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Passarinho felicidade




Andou como se flutuasse.
Não, não, na verdade ela flutuava mesmo.
Já havia experimentado aquela sensação outras vezes,
sim, muitas, mas os tons de azuis eram sempre mais bonitos
e era sempre indescritivelmente leve. Tão leve!
Era uma vontade de olhar para cima de braços abertos
e depois girar e girar de olhos fechados
até levantar voo.
Na verdade ela voava de tanta leveza,
uma leveza chamada felicidade.
A sua felicidade era leve
e voava sem compromisso
pelos seus ares.
O seu revezamento de beleza, pouso,
sutileza e voo,
arrancava sorrisos da alma,
e pairava pelo ar como uma bailarina dos céus.
A felicidade dela também levantava voo,
mas sempre pousava,
sim, sempre pousava e repousava ali.


[Era uma felicidade passarinho, leve...]







Meus queridos, desculpem a ausência! Estive um pouco sumida porque aconteceram algumas coisas muito boas em minha vida - o passarinho felicidade pousou por aqui - uma delas é que fui convocada em um concurso público aqui do Estado, que fiz ano passado e estou em fase de adaptação, treinamento, essas coisas... mas agora que as coisas já estão tomando o seu rumo, tentarei postar com mais freqüência, até porque, como já disse, aqui é o meu refúgio e sinto muita falta. Obrigada a todos pelo carinho e pelas lindas mensagens deixadas no post de aniversário do Soltando Linhas. Saudades de vocês! Em breve visitarei a todos. Beijos

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Somente Linhas... Sementes minhas.



A minha poesia vem do barro, do chão,
tem cheiro de terra molhada,
sons de pássaros, desvãos.
E ela tem calos nas mãos,
tem uma trouxa de roupa na cabeça,
pés descalços, percalços, coração.
A minha poesia conheceu os sábios sim,
filosofou com alguns,
ouviu atentamente teorias complexas,
desvendou algumas,
tenta ainda desvendar outras tantas
com o seu olhar.
Mas a minha poesia é marota,
não deixou que lhes botassem uma roupa
como o homem branco tentou fazer com os índios
para lhes moldar.
A minha poesia não tem rótulos como um produto
nem máscaras como um subproduto,
ela gosta mesmo
é de sentar no banco da praça,
conversar com aqueles sábios, ou melhor, sabidos.
Sabe aqueles que aprenderam com a vida?
E ela gosta de ficar escutando os sussurros
reveladores do silêncio,
olhar o mar e renascer com a brisa
que bate em seu rosto,
olhar pela janela do ônibus
em um dia turbulento
e ver a sombra desaparecer
revelando o brilho incandescente
do que se olha e não se vê.
Ver a mágica acontecer diante dos seus olhos,
olhar a poesia que se esconde,
que passa despercebida
pela correria da vida.
A minha poesia é nua, crua,
brinca solta pelas ruas,
gosta de dançar com as palavras
e de dar piruetas com a lua.
Ela voa, voa...
E sempre traz algo que encontrou perdido
pelos ares invisíveis do cotidiano, que cega,
mas a minha poesia enxerga,
mesmo quando esquece os óculos
em cima da mesa da sala de estar.
E ela gosta de tomar banho de chuva,
sem medo de se resfriar,
de ver estrelas do céu
refletindo estrelas-do-mar.
Faz com que eu me encontre e me perca,
e sempre me leva
e ainda que pesada seja,
leve, livre
é assim que ela me faz
e ela forma, deforma, transforma,
inquieta, traz paz.
Não tem regras nem métrica,
mas tem o essencial:
sentidos aflorados,
olhos atentos
e arrepios intensos.
Ela é o que dá, o que vem,
o que toca, o que brota.
Descreve o que a vida conta,
o que a vida aponta,
o que a vida monta e desmonta,
o que a vida apronta,
o que apronto com a vida.
A minha poesia não escolhe local pra nascer,
ela vem e são fortes as contrações,
vem das entranhas,
mas depois olha a cria e lambe,
flutua, reluz!
Assim como um pássaro
voando em seus azuis.


[Alinhavando os ares...]





Hoje o Soltando Linhas completa o seu primeiro ano de vida e venho aqui agradecer a cada um dos meus seguidores, a cada uma das palavras ricas, carinhosas, fortes, cheias de encantos, verdade e emoção que vocês deixaram aqui. Palavras que me fazem sorrir, que me fazem chorar e me enriquecem. Este lugar é um dos meus refúgios. Escrever me traz felicidade, prazer, liberdade, salvação, cada dia sinto isso mais forte, é como se as palavras fossem nascendo e eu renascendo com elas. E os olhares atentos de vocês são presentes divinos. Obrigada a todos e a cada um!



Os nossos Poemas Enredados viraram um Weblivro e já são mais de 2500 leituras em duas semanas. Parabéns, Carmen pela brilhante iniciativa e parabéns a todos pelo belíssimo resultado! Pra mim é um grande prazer participar!

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